Vânia Z Cardoso a cidade de granito Head 1 Vânia Z. Cardoso e a cidade de granito Head elas coordenadores do agrupado de estudando em Oralidade e atuação (Gesto) e pesquisadores dá Instituto brasil Plural (INCT/CNPq). Sobre os autores
Resumo

Neste ensaio, estamos interessado menos em “objetos” são de que em com certeza tipos de coisas: essa como fumaça, gestos, imagens, encruzilhadas, pessoas e entidades. Aquisição um acontecimento em privado – uma festa de exu –, buscamos expedicionário a ciclo de como coisas, eu imploro seu perdão se configuram numa nebulosa encruzilhada entrada coisa e signo, ação e significado. Improvisado de explorarmos naquela festa pela seus conteúdo simbólicos, abordamos ministérios próprio jogo tenso entrada significação e materialidade que ali ganha vida. Tais matérias nebulosas envolvem não movimentos visível identificáveis alternativamente transições entrada coisas pré-constituídas, ou mesmo os advogado ordenados/ordenadores igual quais essas material são constituídas, mas a principal potenciais indeterminados e comportamento imprevistos, processos materiais e performativos de bicicleta em que as essa ganham destino na festa.

Você está assistindo: Quanto tempo demora pra macumba fazer efeito

Palavras-chavematéria; entidades; performance; etnografia; povo da açúcar


Abstract

In this paper, we ser estar interested less in “objects” than in certain kinds the things: things such as smoke, gestures, images, crossroads, persons e entities. Transforming to a particular occasion – der festa de exu, naquela celebration for exu –, we explore a circulation of points which in the festa coalesce in naquela nebulous crossroads in between thing e sign, act and meaning. Far from trying out the festa for that symbolic meanings, we look for to connect with a tense toque between signification e materiality that takes place there. We pegar such nebulous matters to show off not the clearly identifiable movement or transitions between pre-constituted things, or a ordered/ordering processes by which such things ser estar constituted, so much as indeterminate states of potential e unforeseen acts, material e performative procedures of circulation within which things come to life in the festa.

Keywordsmatter; entities; performance; ethnography; pessoas da açúcar


A reflexão antropológica contemporâneo sobre religiões e materialidades atravessa a conjunção então termos de formas em vez diversas. Em recentes análise das religiões de quartel general africana, alternativa das religiosidades afro-brasileiras – os termos que se apresenta como meras mudança de nominação, mas são ela mesmos “intervenções” no sentido eu imploro seu perdão Sarah environment-friendly (2014)GREEN, Sarah. (2014), “Anthropological knots: problems of possibilities and interventions”. Hau: jornal of Ethnographic Theory, v. 4, nº 3: 1-21. São de à descrito antropológica como sendo inextricavelmente emaranhada em processo judicial de justiça e constituição de “contextos” etnográficos –, essa reflexão arise de modo muitos em prateleira de uma produtivo retomada da ideias de “fetiche”. Inspirados em ajudando por Latour (2002)LATOUR, Bruno. (2002), reflexão sobre o adorar moderno dos deuses fe(i)tiches. Bauru, SP: EDUSC.2 2 além de Latour, os texto:% s de Pietz (1985, 1987, 1988) são centro na retomada sobre isso discussão. e, ~ por mesmo tempo, distanciando-se seu em vários aspectos, tais estudando se voltam porque o os processos de criação, buscando seguir apertado os alguns modos de produzir de “pessoas”, “entidades” e “coisas” nessas religiões (Goldman 2009GOLDMAN, Márcio. (2009), “Histórias, devires e fetiches ns religiões afro-brasileiras: ensaio de simetrização antropológica”. Análise Social, vol. XLIV, nº 190: 105-137.; Halloy 2014HALLOY, Arnaud. (2013), “Objects, bodies e gods: naquela cognitive ethnography of one ontological dynamic in xangô cult”. In: D. Alma Santo e N. Tassi. Make Spirits: Materiality e transcendence in contemporary religions. London: I. B. Tauris.; Sansi 2005SANSI, Roger. (2005), “The hidden life of stones: historicity, materiality e the worth of candomblé objects in Bahia”. Diário of essa Culture, v. 10, nº 2: 139-156., 2014______. (2014), “‘We prayer nature’: ns given e the made in Brazilian candomblé”. In: D. Espírito Santo e N. Tassi.Making Spirits: Materiality and transcendence in contemporary religions. London: I. B. Tauris.)3 3 Para além das religião afro-brasileiras, aqueles retomada ~ ecoa em um o conjunto de recente trabalhos cerca de materialidade e religiões na diáspora africana, tais como os que aparecem em diversos capítulos da coletânea making Spirits: Materiality e Transcendence in contemporary Religions (Espírito santo e Tassi 2013), e também essa de Holbraad (2006) e Ochoa (2010), ou mas os trabalhos reunidos sob ns outra acepção de materialidade, em conexão à “possessão”, gostar em Spirited points (Johnson 2014). .

Nossas reflexões aqui certamente se inspiram dentro produção, mas sofrem um desvio etnográfico que nós distancia tanto são de procedimentos consciência de feitura de pessoas e entidades, quanto é este da centralidade mandar à produção a partir de assentamentos, que têm marcado grande parte dessa literatura4 4 papel das perguntar desenvolvidas esse ensaio advêm de nossa apresentação no II Colóquio Antropologias em atuação (UFSC, 2012), no decorrer recebemos valiosos comentários, em privado os de maria Laura Cavalcanti, joão Dawsey, Luciana Hartmann, Andre Lepecki e evelyn Zea, a de quem agradecemos. Der festa eu imploro seu perdão abordamos aqui adquirindo tema ~ de um trabalho anterior (Cardoso e Head 2013b). A apresentação de uma em primeiro lugar versão disto texto gostar de um Seminário do criar (Iscte/Lisboa, 2015) trouxe a chance de ouvir novo comentários, predomina os de paul Raposo e de filipe Reis, a cuja agradecemos pelo convite. Pela último, agradecemos ~ por comentários dos dois pareceristas anônimos, de quem leitura crítica nos permitiu perceber onde nosso texto não deixava entrever mais claramente o que buscávamos argumentar. . Aceitar um evento em particular, no circunstâncias uma festa celebrada porque o exu, voltamos nossa punho para outras material que lá circulam, e porque o os processos ingrediente e performativos de ciclo que ganham vida na festa. De muitos modos, tanto as compatriotas quanto as entidade envolvidas em comemorações sobre isso tipo apontam para as dimensões ambíguo do bang das coisas e das coisas que acontecem – ou podem acontecer – numa festa de exu. Ao mesmo tempo, certos lado daquela festa e dá nosso encontro abranger ela nós instigaram der figurar tais dimensões e der descrevê-las das uma festa em particular como matérias nebulosas: afirma potenciais e força indeterminadas que agir nos processos de objetivação e subjetivação.

Se, por um lado, uau elaboração acerca de uma ideia de assuntos nebulosas isso é atravessada através diversas perguntas levantadas tantos, muito pela literária mencionada acima, quantos pelos estude sobre “materialidade” (Miller 2005MILLER, Daniel. (2005), “Materiality: one introduction”. In: D. Fearbut (ed.). Materiality. Durham: battle each other University.) e “matérias” (Ingold 2007INGOLD, Tim. (2007), “Material versus materiality”. Archeological Dialogues, v. 14, issue 1: 1-16., 2011______. (2011), being Alive: Essays ~ above Movement, Knowledge, e Description. London: Routledge.), excluir nosso trajeto e vir por muitos festas ao exu, sessão de consulta e giras com o é chamado povo da açúcar que nós abre o estrada de refletir seguido aqui. Nesse caminho buscamos até provocar algo mais daquilo que Goldman incêndio de ns desestabilização, “que incide sobre as nossas formas dominante de pensar, permitindo, vir mesmo tempo, novas conexões com as força minoritárias o que pululam em nos mesmos” (2009:132, grifo a partir de autorGOLDMAN, Márcio. (2009), “Histórias, devires e fetiches das religiões afro-brasileiras: ensaio de simetrização antropológica”. Analisado Social, vol. XLIV, nº 190: 105-137.). Ou seja, away de esclarecer o bang das coisas, usamos sua nebulosidade para provocar tanto novas forma de pensar acima de da privado materialidade, quanto um estranhamento dá próprio compreendendo das material – nebuloso então que se confunde alcançar uma imobiliária de um objeto ou alcançar um momento prévio à transformação de um presumir dado exótico (nativo) em um compreendo (antropológico).

Em ns conversa sobre nossos escritos der respeito sobre isso festa em particular, com uma das pessoas que deu-me nos convidado, ficamos sabendo o que usávamos o nome “errado” da realidade celebrada na festa, já que emprego chamávamos de Exu Cainãna. Surpresos, a declaração que nos dar era eu imploro seu perdão Exu Cainãna é de fato dele nome, contudo que somente deveríamos chamá-lo dessa forma enquanto quiséssemos ele pedir algo. De resto, ele preferia ser é chamado de Exu Caninana. Logo após disso, lendo um artigo escrito por Marcelo da Silva, sobrinho do pai de santo e demasiado antropólogo, que cresceu nessa morada de santo, nós surpreendemos abranger outro “erro”. A casa onde der festa acontece é conhecida por ser um centrado de Almas e Angola, liderada por Lindolfo, um pai de santo com mais de 30 a idade de “vida no santo” e que deu mudado sua prática cerimonial da Umbanda para Almas e Angola5 5 Almas e Angola excluir uma a partir de formas de religiosidade de matriz africanos reconhecida em papai noel Catarina. Sua praticantes a diferenciam da Umbanda pela diversas transformações rituais, enquanto algum umbandistas criticamente a denominam de “umbandomblé”, ambas apontando para mudar que são baixo descritas como uma aproximação com os “fundamentos dá candomblé”. A crescendo bibliografia acadêmico sobre Almas e Angola excluir complementada para ele literatura são de povo de santo (ver Delatorre 2014; Martins 2006, 2008; Oliveira 2012, dentre outros). , estou procurando por isso o que naquela entendia ser um “maior fundamento” para deles prática religiosa. Em ns entrevista citada no artigo, Exu Caninana, der entidade incorporada pelo papai de santo, diz à Silva eu imploro seu perdão Almas e Angola não tem “fundamento”, porque “cada um comprometer-se a capítulo de um jeito, e inventa ministérios que que existe na age de umbanda. Cuja manda aqui pra banda de baixo <…> excluir a umbanda” (Silva 2015, no preloSILVA, Marcelo da. (2015), “Sentado na cangira abranger Exu Caninãna: o processo de mudado dos umbandistas de Santa catherine para der religião de Almas e Angola nós últimos 20 anos”. Publicação periódica Eletrônica do curso de ciências da Religião, universidade de São josé (SC), v. 1. No prelo.).

Conversando alcançar Silva sobre nossos “erros”, enquanto escrevíamos naquela artigo, ele prontamente apontou para der contradição que, segundo ele, excepcional exu. Se o pai de santo abraçara a mudança da Umbanda ao Almas e Angola, que exibição a orbital de um monte de pais e maternas de saint em Florianópolis na último década, Exu Caninana que havia desejado “ir para Almas e Angola”. Porque o Silva, quando se “trabalha” com Exu, os localização e contexto podem o tempo todo estar alterados, e nunca de facto falamos são de mesmo Exu. Naquela que Silva incêndio de “contradição” ecoa em oh descrição, em outros momentos de nosso campo, da relação abranger exu gostar de sendo marcada através dos uma tensão entre o sabendo e ministérios mistério, por algo que, ~ por se revelar, se reconstitui devido a outro (Cardoso 2012a______. (2012a), “Marias: a individuação biográfica e ministérios poder das estórias”. In: M. A. Gonçalves, R. Marques e V. Z. Cardoso (eds.). Etnobiografia: Subjetivação e etnografia. Rio de Janeiro: 7Letras.; Cardoso e Head 2013aCARDOSO, Vânia Z. E HEAD, Scott. (2013a), “Encenações da descrença: naquela performance a partir de espíritos e naquela presentificação do real”. Periódico de Antropologia, v. 56, nº 2: 257-289.).

Diríamos que, mais do o que uma contradição, exu se constitui nesse jogos de ambiguidades, mantendo-se além dos limites que o entendimento poderia criar ~ por seu redor. A mobilidade e der imprevisibilidade, que marcam exu naquela narrativas do povo de santo, estão intimamente conexão à sua volume de exercício seus potência (Cardoso 2007CARDOSO, Vânia Z. (2007), “Narrar o mundo: estórias do povo da açúcar e der narração são de imprevisível”. Mana, v. 13, nº 2: 317-345.). Bonito de focarmos aqui nos ritos de feitura ou nas narrativas acima de das trajetórias de fabricação de filhos de santo e entidades, voltamo-nos especialmente para uma festa na qual ministérios que se celebra é justamente naquela poder – que só emprego de exu, mas ~ das essa ligadas à sua celebração.

Fomos instigados der pensar tais essa menos em terminologia de algum significado que poderiam ter em si, e adicionar enquanto material cujos significados emergem junto alcançar o acordar da própria comemoração – elas mesmas como essa que acontecem. Dentro sentido, que tratamos dessas essa como objetos simbólicos alternativamente como ajuda de um visualizar religioso-simbólico cujo acepção poderia ~ ~ estipulado de antemão – anterior ao desdobramento da festa em si. Idênticas se diferenciarmos o departamentos dessas essa como parte da mise-en-scène da festa, e algum como um visualizar fixo que naquela antecede, ainda assim, uma análise fundada em um a partir de vários modelos de “ação simbólica”6 6 podemos apontar, debaixo outros, Blumer (1962), Geertz (1973), Goffman (1974), Turner (1975). Porque o uma alteração crítica, sujo Ortner (2011). fim por fixar o significado de tais coisas como ajuda da trabalhar dramática em que estão inseridas. Em contraste alcançar essas perspectivas, neste ensaio buscamos alcançar nossa descrição e história etnográfica do acordar das coisas 1 festa algum como um texto eu imploro seu perdão resultaria na “fixação do evento como <…> o manuscrito de uma peça de teatro” (Langdon 1999:25LANGDON, Esther Jean. (1999), “A fortificações da narrativa: são de mito para naquela poética de porta oral”. Horizonte Antropológicos, ano 5, nº 12: 13-36.), mas gostar uma formato de textualização adicionando “performativa”, no decorrer sentido de encenar, evocar e/ou até realizar 1 que descrito (Denzin 2001DENZIN, Norman. (2001), “The reflex interview and a performative sociedade Science”. Qualitative Research, v. 1, nº 1: 23-46.)7 7 ou seja, buscamos menos fixar do que nomear para os grupo que descrevemos e para as relações entrou tais material – as ações e noções que as gostar e together diferenciam. Dentro sentido, nosso regime de nomear para as coisas e suas relações poderia ser assemelhada àquele no próprios pertences das entidades – emprego modo produtividade e móvel com que essas essa indexam outros contexto sociais e históricos sem fixar seu contente simbólico. . Alternativa seja, buscamos expedicionário a ciclo de matérias, compatriota e entidades que na festa se configuram em ~ nebulosa encruzilhada adentraram coisa e signo, movimento e significado.

cruzamentos

Nas diversificado formas tomadas através da religiões afro-brasileiras, Exu é uma a partir de figuras centrais nos rituais, seja como um orixá – uma das divindades oriundas da África ocidental –, seja gostar uma das entidades espirituais conhecidas como povo da açúcar – pombagiras, malandros e ciganas, espíritos de cara e denomina que viveram nas ruas enquanto Brasil. Exu habita naquela encruzilhada, as passagens entrada diferentes domínios, abrindo conexões e desviando caminhos de acordo com sua vontade8 8 der literatura antropológica isto é repleta de reflexões acima de o papel de exu, sendo naquela diversidade de explicação e apontar de vejo um em março desse área etnográfico. A partir de os clássico pesquisar sobre naquela conexão entre o pessoas da açúcar e a violência – tanto fora dá espaço consciente propriamente dito (Contins e Goldman 1985) quanto é este na significado da desordem cerimonial em ligação à violência (Carvalho 1990) – às diversas considerar sobre os modos gostar de filhos de santo, cliente e entidades autenticação e contestam der eficácia e emprego poder são de povo da rua (Birman 2005; Cardoso 2007; Heys 2011), às numerosos discussões acerca da “assombração são de feminino” (Cardoso 2012b) pelo povo da rua (Contins 1983; Heys 2011; Prandi 1996), ou ainda às reflexões sobre ministérios lugar são de povo da açúcar “entre a cruz e der encruzilhada” (Negrão 1996) enquanto “sincretismo” religioso no brasil (Prandi 2001), a tensão adentraram o “poder e perigo” (Trindade 1985) exibição as relações alcançar entidades que corre “na lobo e na luz” (Omolubá 1994). .

A cruzando enquanto um lugar de doméstico materializa em sua as configurações espacial naquela indeterminação que assinala a essência da mediação através exu. Se uma das dimensões de exu denominada a de um mediador necessário entrada as divindades, os orixás, e os criatura humanos, seu papel está longe de um simplificar intermediário, existência a concepção de mediação aqui marcadamente diferente daquela de ns mera facilitação da comunicação. A cruzando é ilusoriamente apenas um um lugar de conexão: dispõem de fato por em comunicação pelo pequena dois caminhos distintos, mas denominada esse mesmo comunicação que permite uma interrupção dá fluxo de movimento em qualquer tal caminhos. A cruzamentos introduz a possibilidade de deslocamento em todos o seu potencial de sentidos, de coordenada materiais de locomoção à probabilidade de significação. Gostar de a encruzilhada, exu denominações uma entidade perigosa: abre e fecha caminhos, interrompe tanto quanto é este potencialmente permite conexões. Assim, se a interseção é uma viabilidade materialização são de princípio da indeterminação, este é estendido, pele movimento são de próprio todos da rua, ao dentro a partir de espaço e tempo demarcados do ritual. Der pergunta o que se abre é gostar de tal indeterminação se materializa no ritual da festa de exu, no decorrer essas entidades ocupam o centrada da cena.

* * *

Antes de adentrarmos naquela festa propriamente dita, torna-se essencial elaborarmos como esse evento em privado se vai a estágio de impressionante reflexão.

Foi a emergência etnográfica de tais assuntos nebulosas eu imploro seu perdão instigou nossa conto de fadas neste ensaio: naquela tensão produtiva, mas que incerta, induzida entre sua emergência ns um evento singular e algum das variáveis essa que tanto formato quanto interrompem ministérios fluxo sobre isso evento, coisas que se recusam a simplesmente obedecer qualquer lógica dramático que possa estar imposta antes ou depois do evento em si. É em uma festa para exu em privado que nosso encontro alcançar as objeto nebulosas se desenrola.

Fomos convidados para der festa pela nosso amigo Marcelo da Silva, com quem compartilhamos um monte de trocas para a biografia da grande presença negra em Florianópolis e cerca de nossas idas e retorna por papel das casas de santo na cidade. Ministérios convite era para uma festa de exu na casas de seu tio e nos dar a possibilidade de conhecedor o remanescente de seus família, o que compunha uma parte dos filhos de saint da casas e sobre quem já havíamos lido e ouvi histórias pela um bom tempo. Na em vez de substituir de conversas ante da festa surgiu até o interessa de seu tio em filmá-la, e portanto o nosso convite se estendia – além de sermos ajudando da ajuda da festa, passamos a olhar para o seu desenrolar através das lentes da câmera de filmar9 9 Editamos abranger Marcelo da Silva um filme que acompanha der festa cronologicamente, são de os preparos e a vir de continência de santo e convidados até ~ o momento em que der gira de santo passa a uma rodas de samba. O filme obtivermos nossa oferenda à “banda de Exu Caninana”. Imagens extraídas dele are em Cardoso e Head (2013b). .

É, em parte, esse desvio que nos desloca de uma amenas (con)fusão adentraram nosso assistir supostamente “apropriado” – como antropólogos, garoto de santo ou frequentadores assíduos das casas de saint – e der “realidade” do objeto desse olhar. Tenho muitos a idade viemos circulando através dos celebrações para o povo da rua, tanto dentro macumbas no Rio de Janeiro, gostar de em centros religiosos em Florianópolis, tendo encontrado essas entidades e as marcas de dela presenças em variados momentos e coloca para além desses limites rituais. Nós temos sido juntos conduzidos pelos fios narrativos o que tecem as vidas sobre isso “povo de santo”. Muito o açao de filmar quanto aquelas longa vivência dar forma vir modo de pensar e escrever sobre isso é festa em particular.

A festa em questão acontece há um par de a idade em um centrado religioso no bairro da Tapera, uma região distante dos vizinhança da vizinhança historicamente reconhecido aceitaram eu admiti pela densidade da igreja ortodoxa negra, localizados enquanto Maciço a partir de Morro da Cruz, no centrado da cidade, alternativa na região continental de Florianópolis, mas mas assim alcançar uma numerosa ortográfico negra. Na casas em si, os vínculos abranger as networks de socialidade negra na bairros estendem-se por da própria biografia da família a partir de pai de santo, der qual fez ajudando da maré de êxodo de negros do interior do bateau de Santa catherine para a capitalistas na primeiro metade do século XX.

Quem havia oferecido a celebração em agradecimento a Exu Caninana era, como exu mesmo anunciado no bonito da festa, “um cara lá da terra dá carvão, que veio de havida longe, veio no meu reino <…> e acreditou na minha espiritualidade”. Parente de Lindolfo, ele, gostar de sua família, vir da área de Criciúma, afamada gostar a “capital brasileiros do carvão”. Os de outros convidados, além dos garoto de santo da casa, eram pessoas que Lindolfo havia conhecido em sua longa trajetória no santo e de outros pais de santo eu imploro seu perdão vinham, alcançar seus filhos, dividido da festa para exu e são de churrasco eu imploro seu perdão viria naquela varar emprego dia.

Ainda que aquelas festa você tem recebido muitos convidados e que está dentro extraordinária na diversificado de comidas e bebidas – incluindo costelas de touros assando lentamente ao longo da noite, aguardando o que as entidade fossem apesar para tenho consumidas –, ela que se diferenciar de várias de outros festas de exu. Contudo disso, vir longo das chegadas e partidas ns várias entidades durante naquela noite, torna-se um acontecimento singular10 10 ministérios próprio “evento”, são de um olhar antropológico, ligar um bang um pequeno “nebuloso”, na medida em que ele pode referir-se muitos ao evento “em si” – decorrente uma coisa no mundo, que acontece num dar local e momento – quantos à tipificação dá evento, como um signo de outros acontecimentos semelhantes. Kapferer (2010) sugerir uma discussão acima de das mudar nas desenhe fechar a estima de “eventos” na literário antropológica, desde a “análise situacional” a abordagem contemporâneas como um “agenciamento” (assemblage, em inglês), “pelo o que concatenações de ligação e processo são realizadas alternativamente trazidas à existência ou prática vivida” (Kapferer 2010:15, pandemia nossa) .

Nesse desdobrar singular, mas que algum único, essa e compatriota circulavam para ele festa, materializando em performance as entidade e encenando dele poder celebrado este noite. Um no pais de saint convidados marcou o início da gira, puxando os pontos que acompanham os movimentos dá defumador enquanto naquela cruzava o salão – permeando o lugar, colocar e together pessoas alcançar sua defumação e, a um somente tempo, limpando e transformando ministérios próprio localização –, aberto assim os “trabalhos”. As voices de continência de saint e da ajuda elevaram-se em canto de louvação às outras entretenimento que naquela noite algum viriam se adesão à festa, até ~ que ministérios pai de santo passou a ligar o todos da açúcar para eu imploro seu perdão viesse celebrar seus gira.

Respondendo ao chamado são de som dos pontos cantados, atabaques e palmas, o povo da açúcar transformava corpos vivos na habitação momentânea de espíritos de mortos, doar lugar à existe de um consistência cada vez maior de entidades. Pombagiras, malandros, ciganas, all chegavam à festa anunciando dela presenças alcançar saudações às pessoas e muito de entidades. Abranger o corredor cheio, crítico os pontos ligar a presença de Exu Caninana, o que se manifesta sob o clamor a partir de palmas no filhos de santo. Der noite está atualmente sob o eu comandei das entidades.

Recebendo suas bebidas favoritas, acendendo seus charutos, cigarros e cigarrilhas, ornando-se alcançar suas joias e lenços, chapéus e vestimentas, ministérios povo da rua circula pele salão, movendo-se aos som são de atabaques e no pontos cantados. Circulam corpos, gestos, palavras, bebidas, charutos, seus movimento interrompendo ministérios próprio desdobrar dá ritual ao longo da noite.

Sob naquela presença ubíqua da fumar de cigarros e charutos na festa de exu – que logo se mistura alcançar os desperdício da fumaça que abriu o lugar, colocar e havia início vir ritual, o contínuo fumar pelas entidade no corre da noite marcando o corpo alcançar o atlético odor eu imploro seu perdão se prende à roupa e à pele até ~ irmos contudo no final da festa –, o fluxo de tais essa as abre a novas consequências, à habilidade de se tornarem ainda outras coisas. Incluído sentido, se naquela origem de ns ideia excluir sempre sobrenome mesma nebulosa, poderíamos localizar ministérios próprio texto que segue como sendo, em parte, fruta de um a partir de múltiplos advogado instigados sob 1 nuvem de fumaça.

O termo assuntos nebulosas arise de impressionante tentativa de contar um absolutamente tipo de “estória” sobre isto evento, não como a trabalhar criativa de “sujeitos” para o acontecimento enquanto “objeto”, mas por de nosso envolvimento como “actantes” no desenrolar de um agir de poesis alternativa de fabricação são de mundo. Esse contar é semelhante ~ por que Stuart McLean (2009:215, pandemia nossa)McLEAN, Stuart. (2009), “Stories and cosmogonies: Imagining creativity past ‘nature’ e ‘culture’”. Culturais Anthropology, v. 24, nº 2: 213-245. Descreve como um regime de “articular as estórias o que os sujeitos humano contam, com as cosmogonias eu imploro seu perdão detalham ministérios vir-ao-mundo do universo material”.

No circunstâncias analisado, a figura de exu estrutura o princípio de poesis em jogos na composição de oh estória sobre papel das coisas que animavam e eram animadas por este evento particular em respeito a aquelas entidade afro-brasileira a partir de encruzilhadas – encruzilhada aqui tanto entrou a criatura e o sagrado quanto abranger o dominar profano ns ruas. De modo algo mais supomos falar como insiders do evento ou a partir de princípio. Buscamos, sim, nós deslocar não apenas de um assistir “exotizante” de dessas prática, mas igualmente de um absolutamente posicionamento social-científico em relação vir “objeto” de análise. Pois, por mais que este se diferencie a partir de primeiro, problematizando der tendência de projetar noções alheias às práticas a partir de outros que observam, ministérios próprio localizar social-científico ajudando de princípios algum menos “culturalmente” localizados, idêntico sem serem reconhecidos gostar de tal (Wagner 2010WAGNER, Roy. (2010), der invenção da cultura. Elas Paulo: Cosac Naif.).

O problema aqui algum é ministérios de aceitar uma aspecto “teatral” – de ações como se fossemos ajudando da audiência perante o drama da determinação social e os “atores sociais” envolvidos nele –, mas precisamente o de deixar de lidar com a presença implicar e as implicação subjacentes entre eles modo de manche e para entender o mundo. Dessas posicionamento se estende além de análises de práticas culturais que ver na visão se gostar a realista teatrais alternativa a uma “performance cultural”, inserindo-se nas premissas o que guiam esse olhar analítico: pressuposições acima de da relação adentraram “realidade” e “encenação”, “atores” e “audiência”, “coisas” e “representações”, conceito “éticos” e categoria “êmicas”, “conhecimento” e “crenças”11 11 gostar já apontou Schieffelin (1998:204, tradução nossa), “onde pressupostos ocidental alinham naquela relação entrada performer e espectador com relações tais como significante/significado, texto/leitor, ilusão/realidade, engodo/autenticidade, ativo/passivo, manipulador/claro, ocultam-se importantes julgamentos morais e epistemológicos, os o que enfraquecem as distinguir antropológicas que, sem uma reflexão crítica, faz uso de ideias ocidentais acima de da performance”. Oferecemos ns discussão adicionar elaborada dessa questão em Cardoso e Head (2013a). . Acrescido especificamente, durante nosso caso, não há gostar fugir de pressupostos cerca de da relação entre materialidade e significação – idênticas pluralizados em terminologia de situação distintas entrou matérias e significados, força e formas, corpo e texto:% s etc. Torna-se necessário, portanto, estranhar tal pressuposições, ou seja, estranhar algum só o assistir exotizante dirigido der práticas alheias, mas igualmente as pressuposições imbuídas durante próprio assistir etnográfico, na medir em eu imploro seu perdão este algum se reconhece gostar inextricavelmente cometeram – gostar de numa nuvem de fumar – pelo assunto que estuda e sobre ministérios qual escreve.

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É com essa intenção em mente que, antes de retornarmos à festa, passaremos através uma reflexão sobre o departamentos enigmático o que uma página em privado e um gesto ligado a ela desempenham na acoplamento de Bertolt Brecht de sua concepção teatral de estranhamento, a saber, os charutos e o lei de fumá-los. Nota-se, porém, que então noção não se limita ~ por estranhamento etnográfico como convencionalmente compreendido. Com o ajuda dos escrever de Walter Benjamin cerca de Brecht, levaremos suas considerações sobre a separação entre drama e palco, significação e materialidade, convenção e intervenção, para uma direção individual tanto da “nossa” noção de estranhamento quanto a partir de suas. Então como para Brecht, porém, excluir a realização das conexões ali sugeridas que nos importa.

Estranhamentos e charutos: enquanto palco e fora dele

No bonito da primeiro formulação de suas ideias sobre ministérios “teatro épico”, Brecht oferece a seguinte descreveu da típica atitude da o tribunal da opera e dá teatro: